O QUE É EDIÇÃO DE VÍDEO?

Já experimentou explicar para alguém o que efetivamente faz um editor de vídeo? Eu tento fazer isso há 17 anos. Na primeira vez, formulei um discurso sobre todo o processo técnico, fiz simulação com cartões coloridos e até mostrei antes e depois. Na segunda tentativa, sentava a pessoa ao meu lado, ligava a televisão e falava ‘aqui’ para todos os cortes secos nas matérias do jornal. Deixei muita gente louca durante o processo. A pessoa já sentava ao meu lado prestando atenção onde passava a gilete do editor. Também tentei evocar fantasmas do cinema mudo e explicar como eram feitas as montagens ‘na unha’. Nada feito!

Hoje, percebo que estava complicando algo muito simples. Edição de vídeo é a arte de contar bem uma história através de imagem e áudio. É tirar excessos, remontar os pedaços. É formar uma narrativa objetiva, clara e criativa.

Tecnicamente falando, o editor recebe as imagens que foram gravadas (pode ser na rua, em estúdio, para uma reportagem de TV ou uma sequência de cinema), joga fora o que não serve e monta uma sequência que faça sentido, em que outras pessoas compreendam a mensagem que se quer passar.

Muitas vezes, o editor de vídeo trabalha com um roteiro, feito por um roteirista, no caso do cinema, ou por um repórter, no caso do jornalismo de TV. Mas em época do ‘faça você mesmo’, as equipes estão cada vez mais enxutas, podendo o editor de vídeo também filmar, roteirizar e sonorizar o próprio material.

 

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A CONTADORA DE HISTÓRIAS

Uma das lembranças mais vivas da minha infância é da minha avó, sentada na pontinha da cama ou do sofá, contando uma história específica. Era uma mistura de ‘João e Maria’, com ‘Cinderela’, e a novela mexicana da época. Era aquele tipo de história que eu pedia para emendar o final no início, e de novo, de novo, de novo. Toda vez que ela começava a narrativa eu já sabia que a cor do vestido da menina ia mudar, que o lanche que os irmãos roubavam da cozinha antes de fugir seria modificado, e que o nome de algum personagem mudaria. A verdade é que minha avó guardava o enredo principal e deixava os detalhes pra mim. E como eu me apegava aos detalhes! Ao ponto de perguntar a ela: ‘por que a senhora não escreve estas histórias em um caderninho? assim não esquece os detalhes’. Ela dizia que tinha o tal caderninho com muitas histórias escritas, mas não gostava de se prender a ele. E assim continuamos por muitos anos.

Quando minha avó faleceu, a primeira coisa que procurei entre seus pertences foi o caderninho. E até hoje o procuro. E cada vez mais acredito que nunca irei encontrá-lo. A verdade é que ela deu o pontapé inicial para eu criar o meu próprio caderninho. Minha avó era uma storyteller bem antes do termo virar moda.